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Escrita é Legado.

Escrever é resistir... De tudo que herdei de minha família, só há algo que acredito ser necessário passar adiante. E que é ensinado. Educar. Na importância dada à educação sempre residiu minha admiração aos meus antepassados. De um modo ou de outro, ela sempre me guiou e deixou-me algo residual de esperança, ainda que por alguns momentos tudo parecesse tão difícil e perdido, ela sempre me lembrou de um horizonte maior à vista e não visto também. Quando se vê de exemplo, cotidianamente, que da história de marcas agrestes de um terreno aparentemente infértil, poderiam brotar ramos e futuros frutos de uma educação cultivada, com luta e apreço, fica difícil não acreditar na vida. Foi assim, neste referencial que cresci. E a ele agradeço. Mulheres fortes, professoras. Leitores de afinco. Grandes homens. A educação ensinada sob forma de gentileza. Foram muitos retratos, agora também muitas lembranças e mais ainda perspectivas: Um só legado. E em muitos sóis de um sertão, hoje continuo com a
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Contemplar-se

 "Public opinion is a weak tyrant compared with our own private opinion"  (Henry David Thoreau - Walden) Muitas vezes perdemos boas oportunidades de estarmos em nossa melhor companhia: nós (mesmos). Até quando somos forçados a olhar para dentro e encarar aquilo que talvez não quiséssemos enxergar, insistimos em manter-nos de olhos fechados. Certa vez, lembro de ter lido - em um lugar qualquer - que bem e mal são facetas da mesma moeda. E complementei o pensamento com um "Talvez o que tenhamos de lembrar é de, às vezes, virar o lado desta moeda". Ao observar bastantes pessoas, situações opostas e comportamentos - durante este ano que muitos somente aguardam ansiosamente que acabe - foi impossível não chegar a algumas análises e, até sim, - por que não? - avaliações também pessoais. Ontem, uma paciente contou-me que nunca havia conseguido passar tanto tempo bom com o filho até ser obrigada a estar em casa e que jamais pensou em se encarar tão reflexivamente para o pró

Memória afetiva

  Há um ano, li " O sol é para todos", livro famoso, ganhador do Pulitzer, livro fantástico que por detalhes bem singelos, tornou-se um dos meus favoritos de fato. Agora, com mais um ano nas costas, em um "dia das crianças" - no qual me afasto cronologicamente de quando eu era uma -, termino um outro livro, do qual também gostei bastante, mas bem menos famoso de um autor muito conhecido sim. Foi uma leitura muito aprazível, daquelas que te deixam leve, que carregam o peso de uma pena, mas a importância de um mundo. Se a preguiça me agarrasse em cheio quando me perguntassem: "Por que você gostou tanto assim, não é sequer um dos mais conhecidos do autor, ou não trata de nada tão assim distópico, fantasioso, por que se importou? Talvez eu sequer tentasse formular uma resposta.  O fato é: não é preciso formular nada, pois é fácil, o encanto veio com um "puxavanco" à memória! Com uma linguagem em uma bela prosa poética, claro. Só não poderia eu dizer que m

Escape

Parece que vivemos em um mundo de paixão desenfreada pela rapidez, pela grande eficácia, tudo altamente veloz, conturbado e ultra processado, uma vida de "fast", em que nos perdemos no próprio processo. De tão rápido e superestimulados, parece que estamos constantemente fatigados. E, embora eu tenha relacionado, nos dois últimos escritos, esta saturação à pandemia atual, as outras 'pandemias' - não tão metafóricas assim e ainda vivenciadas -, elas também trazem consigo um pedaço de cansaço, uma sensação de peso, de que é proibido parar ou desacelerar pelo mínimo momento que seja, que isso não condiz com o que a atualidade prega ou faz.  O fazer ganha muitos espaços nos nossos relógios e nas nossas rotinas, enquanto o nosso tempo perde bastante qualidade. Tornamo-nos cada vez menos eficazes porque não sabemos quem somos, aonde queremos ir, do que gostamos, o que devemos fazer e quando devemos parar ou continuar. Reduzimo-nos a uma lista de tarefas, repetidas nos dias. 

Reconectar-se

 Boa noite,  Desta vez, não fui tão 'tratante': prometer que iria voltar a escrever brevemente para página e passar um ano de lapso; na verdade, não escrevi na última semana apenas por uma questão de rotina, precisei dar um tempo para ajustar, aliás, afinar os pensamentos. A propósito, este post, é em parte sobre tempo. Eu ia utilizar para este escrito, uma foto de uma pequena viagem que fiz, durante o fim de semana, e que, na verdade, o motivou. Agora percebo que fiz mais do que uma viagem, fiz duas, três...Uma viagem de nostalgia, uma viagem no tempo por meio do pensamento, uma viagem para dentro de mim. E já que este não seria o post desta semana; no próximo, que se chamará "Escape", portanto, colocarei as fotos de minha pequena viagem. Após esta longa introdução... 2020 tem sido um ano muito significativo. Muitos que lerem isso podem dizer: "deve estar louca...lá vem mais uma com lição altamente otimista querendo transformar tudo em positividade". Claro

1941.

 Há muito, tive vontade de retornar a escrever, hoje o faço, não sei por quanto ou até quando, só que todos - que importam - sabem como funciona este blog, vai, volta, nunca acaba (ainda bem). Um dos motivos pelos quais não retornei a escrita tão cedo é o mesmo motivo que a tornaria tão possível: ainda que este ano (2020) seja um grande fomento para tal, pois tragédias historicamente são terrenos férteis para as letras, não me trouxe vontade de tornar este lugar mais um meio gratuito de veicular nada particular ou socialmente sombrio... Até que hoje, pela madrugada, eu tive um sonho (de fato) que até achei interessante e relacionei de imediato a um trecho do livro "Os meninos que enganavam nazistas" que algumas horas depois li. E dizia:  "É bom ficar sempre com um pé atrás: o momento em que acreditamos ter vencido é sempre o mais perigoso". Antes disso, um sonho: Eu retornava do trabalho, na minha cidade pequena relativamente mais segura do que a maioria, a pé, quan

Epidemias

Boa tarde, finzinho de tarde... Durante esta finda semana, tive compromissos de trabalho fora do ambiente cotidiano. Eventos assim são até comuns na minha profissão e em outras também, eles pleiteam chegar a algum lugar, no aspecto de "educação continuada"; no entanto, muitas vezes, só ajudam a lembrar-me de observar, sobretudo, repetições e padrões.  Acredito bastante na educação, desde as pequenas formas e informais até, digamos, aquela realmente acadêmica, acredito principalmente que ela deva proporcionar alguma mudança: seja de paradigma, de opiniões ou de modus operandi (de vida). A função é acender fagulhas.  Falar em fagulhas, lembra-me mesmo de que o comentário de hoje, na realidade, gira em torno, não da educação, propriamente dita, mas, sim, de algo que se alastra mais rápido do que as fagulhas educativas que queremos acender. Isso se alastra, isso ascendeu. Sim, com "S', com um dígrafo. Então, uma  historinha:  "Cheguei no horário,